quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Sobre Morar num Pensionato

 Era uma solução que eu nem conhecia e que teria sido bem útil se houvesse descoberto antes. É fácil encontrar grupos de divisão de aluguel, mas, como a responsabilidade é solidária, sempre existe o risco de alguém desistir no deixar de cumprir com as obrigações, aí o ônus é dividido. Numa pensão cada um paga uma mensalidade fixa, independentemente do nível de ocupação no momento. E lá fui eu, recém chegado à capital, como habitante, iniciando um contrato de trabalho de três anos. A região era central, bem servida de ônibus e não muito longe do mar. Já comecei bem. Inicialmente morei em um local onde possuía meu próprio quarto, mas como as condições não eram muito boas fui fazer uma visita numa outra casa que eu já conhecia de nome, onde os quartos eram compartilhados. Me encantei pelo lugar e, como  o valor era o mesmo, decidi mudar no final do mês. O compartilhamento do quarto era algo inconveniente, mas, como eu não gosto muito de me sentir sozinho, teria um lado bom. Me vi imerso em um mundo à parte e com muitos desafios. Nem tudo eram flores, havia muita provocação, muita hostilidade, mas tinha sempre alguém com quem eu me identificava. A capacidade era de dez pessoas e durante uns três meses após eu estar lá havia de fato esses dez, mas depois isso raramente acontecia, o mais comum era ter uns oito. Metade costumava permanecer e o restante era mais rotativo. Ostentava-se muito: comida, passeios, viagens... Às vezes rolava umas confraternizações legais. Chegavam também alguns tipos estranhos, suspeitos ou desagradáveis, porém ficavam pouco. O que eu mais gostava era a comodidade de sair e chegar e saber que sempre teria alguém em casa. Fiquei quatro anos. 

 

It was a solution that I didn't even know and that would have been very useful if I had discovered it before. It is easy to find rental division groups, but, as the responsibility is solidary, there is always the risk of someone giving up in failing to comply with obligations, so the burden is divided. In a pension each one pays a fixed monthly fee, regardless of the level of occupation at the time. And there I went, just arrived in the capital, as a resident, starting a three-year work contract. The region was central, well served by buses and not far from the sea. I've started well. Initially I lived in a place where I had my own room, but as the conditions were not very good I went to visit another house that I already knew by name, where the rooms were shared. I was enchanted by the place and, as the value was the same, I decided to change it at the end of the month. Sharing the room was inconvenient, but since I don't like to be alone very much, it would have a bright side. I found myself immersed in a world apart and with many challenges. Not everything was flowers, there was a lot of provocation, a lot of hostility, but there was always someone with whom I identified. The capacity was ten people and for about three months after I was there, there were actually ten, but after that it rarely happened, the most common was having about eight. Half used to stay and the rest was more rotating. He boasted a lot: food, walks, trips ... Sometimes there were cool get-togethers. There were also some strange, suspicious or unpleasant types, but there were few. What I liked most was the convenience of going out and arriving and knowing that there would always be someone at home. I stayed four years.

 


 


sábado, 22 de agosto de 2020

Delta do Parnaíba - Novembro/2017


 O roteiro começou dois dias antes, rumo a Sete Cidades - Pi, uma aula de campo do bacharelado em Geografia. Não pude ir para esse ínicio e fui por  conta própria, de ônibus, esperar a turma na última parada, que seria em Parnaíba. Juntei-me a eles na pousada, saímos num pouco à noite e o dia seguinte foi no rio. Na volta dei mais umas voltas nos estornos e no dia seguinte viemos embora. 


XXIII EREGENE - Natal/RN - 2006


 Foi minha primeira viagem para a capital de outro estado, até então, além do Ceará, só conhecia algumas cidades do interior do RN. Estava na último semestre da faculdade e a universidade estava de greve havia quatro meses. Faltava apenas uma semana de aula para a conclusão do semestre. Conseguimos uma van com a reitoria e fomos em oito, uma espécie de cúpula do curso ou do centro acadêmico. Saímos por volta das 22:00 e às 04:00 da manhã chegamos ao destino: Encontro Regional dos Estudantes de Geografia do Nordeste. Era dia de Finados e a cidade estava em clima de feriado; após um rápido cochilo fomos à praia de Ponta Negra e nos dias subsequentes: Cajueiro Grande, Lagoa do Carcará, Praia do Forte, Genipabu... Muito gostoso !


Salvador - Julho de 2017

 



Mais um bate/volta que realizei, não só por contenção de gastos, mas por não estar de férias. Na época eu era agente de pesquisas no IBGE e, embora fizesse aniversário de contrato no mês de Julho, sempre optava por tirar as férias em Agosto, para passar um tempo em casa próximo ao dia dos pais e de uma festa religiosa que eu gostava de ir. Além disso, o mês de Julho era alta estação do turismo em Fortaleza e sempre era bom estar por perto. Como em todo início de mês, vim passar vim passar um fim de semana com meus pais naquele Julho de 2017. Sentado à noite na frente da Tv decidi pesquisar pelo celular o preço das passagens para a Bahia, que era próximo e eu ainda não conhecia. Para minha decepção os valores estavam muito altos para Agosto, quando eu entraria de férias, e só para ter uma noção, dei olhada em como eles estavam em Julho. Surpreendentemente vi que era bem mais barato e não hesitei em me programar programar passar o último final de semana do mês em Salvador. Depois fiquei sabendo que, por conta do frio e chuva, o mês de Julho era época de baixa estação por lá, mas não me importei nem um pouco. Localizei um hostel, fiz a reserva e comprei a passagem para uns vinte dias depois, algo que iria me fazer sofrer bem menos com ansiedade. Com uma rápida pesquisa sobre trajetos e modos de transporte esquematizei as formas de chegar no local de hospedagem, em pleno Pelourinho, e quando chegou o grande dia tudo ocorreu sem transtorno. Mais uma vez fui sozinho, busquei, tentei, mas, principalmente pelo caráter abrupto da iniciativa, ninguém quis ou pôde ir comigo. Foi  realização de um grande sonho, já que desde a minha infância, quando requebrava ao som do hoje chamado axé das antigas, eu sonhava em conhecer Salvador. Quem não quer ? Indescritível estar diante de todos aqueles ícones arquitetônicos, em especial o Elevador Lacerda, que eu achava ser um simples monumento turístico e vi ser um indispensável meio de locomoção para os baianos. Para mim foi como um brinquedo de um parque de diversões, embora eu só o tenha utilizado de forma extremamente necessária. O Pelourinho também me surpreendeu por que além de bem conservado possui múltiplos usos e tem uma energia incrível. Me alegrei muito também em ver que o Farol da Barra possui visitação interna e explorei cada detalhe. Infelizmente ficou muito na cidade a explorar, mas conheci o essencial. Foi muito realizador, um dia quero ir novamente. 


#Partiu Pesquisa

 Um grande salto nas minhas expedições, embora que num raio próximo, foi a descoberta da estatística como profissão. Inicialmente tive um contrato de três anos no IBGE, onde explorei em detalhes algumas regiões da Fortaleza, a capital do meu estado, meu destino preferido e a minha casa durante quatro anos e meio. Dias antes de o contato ser encerrado acabei passando frente a um escritório, perto da minha casa, que oferecia servicos de pesquisa. Por um momento achei que se tratasse de um outro tipo de consulta, mas, ao ir lá um dia com um currículo, acabei saindo com a incumbência de realizar algumas dezenas decde para uma pesquisa eleitoral. Era um trabalho autônomo, pago por entrevista, mais ajuda de custos. Iniciou-se um novo ciclo de expedições junto aos bairros da cidade e algumas cidades da região metropolitana, com bem mais intensidade que no IBGE, embora sem uma regularidade definida. Nas reuniões que antecediam cada trabalho acabei ficando sabendo de outras empresas que também contratavam e assim fui expadindo o leque de empregadores. Porém as viagens não vinham. De certa forma eu entendia, por que ainda não tinha a agilidade de dos veteranos mas mesmo assim me achava merecedor, já que a minha retoca lentidão era em decorrência da minha dedicação. Um outro fator que dificultava as viagens era uma segunda graduação que eu ainda cursava e, de forma expressa ou subliminar, isto passava um mensagem de indisponibilidade. Até que um dia eu me destaquei numa pesquisa de preços e fui designado para um trabalho no Sul do estado - Juazeiro do Norte, uma cidade que eu conhecia muito superficialmente e para a qual eu não ia havia muito tempo. Quase não acreditei. Após isso, ganhei o rótulo de viajante e muitas cidades vieram, sempre dentro do próprio estado, já que sempre foi uma de minhas metas conhecer todas as regiões cearenses. De pouco a pouco fui conhecendo vários municípios e, quando soube que alguns colegas já conheciam TODOS ! passei a ter esta ideia fixa. Dava um frisson quando o chefe me ligava e me convidava para mais um destino. Com a pandemia as expedições foram suspensas e, por mais que tenham voltado, decidi continuar mais um tempo no interior com a minha família. Mas um dia quero retornar.