Era uma solução que eu nem conhecia e que teria sido bem útil se houvesse descoberto antes. É fácil encontrar grupos de divisão de aluguel, mas, como a responsabilidade é solidária, sempre existe o risco de alguém desistir no deixar de cumprir com as obrigações, aí o ônus é dividido. Numa pensão cada um paga uma mensalidade fixa, independentemente do nível de ocupação no momento. E lá fui eu, recém chegado à capital, como habitante, iniciando um contrato de trabalho de três anos. A região era central, bem servida de ônibus e não muito longe do mar. Já comecei bem. Inicialmente morei em um local onde possuía meu próprio quarto, mas como as condições não eram muito boas fui fazer uma visita numa outra casa que eu já conhecia de nome, onde os quartos eram compartilhados. Me encantei pelo lugar e, como o valor era o mesmo, decidi mudar no final do mês. O compartilhamento do quarto era algo inconveniente, mas, como eu não gosto muito de me sentir sozinho, teria um lado bom. Me vi imerso em um mundo à parte e com muitos desafios. Nem tudo eram flores, havia muita provocação, muita hostilidade, mas tinha sempre alguém com quem eu me identificava. A capacidade era de dez pessoas e durante uns três meses após eu estar lá havia de fato esses dez, mas depois isso raramente acontecia, o mais comum era ter uns oito. Metade costumava permanecer e o restante era mais rotativo. Ostentava-se muito: comida, passeios, viagens... Às vezes rolava umas confraternizações legais. Chegavam também alguns tipos estranhos, suspeitos ou desagradáveis, porém ficavam pouco. O que eu mais gostava era a comodidade de sair e chegar e saber que sempre teria alguém em casa. Fiquei quatro anos.





