Chamava-se Volga Turismo, mas em referência a um
antigo dono, era chamado carinhosamente por todos de Pinheirão. Era uma mistura de pousada, restaurante e terminal rodoviário,
majestosamente instalado em uma região inóspita da BR 116, nas proximidades do
município de Alto Santo (Ce).
Durante muitas vezes
estive ali assistindo ao embarque e desembarque de parentes que iam ou viam de
São Paulo. Ficava fascinado em saber que dali se poderia ir para tantos
destinos e, se preciso fosse, eu ficaria horas a fio observando aquelas pessoas
tão diversas.
Comumente partiam jovens
rapazes que iam tentar a sorte no Sudeste do país. Cortava o coração o choro
silencioso das namoradas, que não sabiam se realmente iam ser chamadas
posteriormente ou se iam ser trocadas por uma qualquer na região de destino.
Foi no Volga ou Pinheirão
que eu vi pela primeira vez na vida um transsexual, gênero muito comum no seu
corpo de funcionários. Na ingenuidade dos meus quatro ou cinco anos de idade,
fiquei tentando adivinhar a identidade sexual daquele sujeito à minha frente. Meu
pai simplesmente riu da minha expressão confusa e não esclareceu minha dúvida.
Os ônibus eram de muitas empresas como Penha,
São Gerardo, Gontijo... mas os que eu mais gostava eram os amarelões da
Itapemirim. Certa vez um casal conhecido, que partia, pediu-me para que eu os
ajudasse a levar alguns pertences para o interior do veículo e foi com grande
satisfação que eu entrei naquele “tribus” da minha empresa preferida.
Por razões que desconheço
o Volga foi desativado e hoje encontra-se abandonado e em ruínas. Me entristece
saber.
Atualmente viajo para
muitos dos lugares em que era possível partir de lá, porém vou de avião,
veículo que atualmente é mais acessível no Brasil. Mas, embora possa parecer
retrógrado, ainda sonho em um dia viajar do Ceará para São Paulo ou Rio, a
bordo de um amarelão da Itapemirim.
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