Morava sozinho em uma cabana na mata, próximo ao nosso roçado na Lagoa do Mel. Além da tal fama, tinha uma leve deficiência mental e um braço mal desenvolvido. Mas era muito respeitado no lugar.
Contava histórias absurdas, de maneira séria, mas com intenções cômicas; em uma delas relatou estar ouvindo a narração de uma partida de futebol no seu radinho de pilhas e, quando um dos times fez um gol, o aparelho fragmentou-se com o impacto da bola em seu interior.
Quando voltávamos da Lagoa do Mel, num final de tarde, nos deparamos com ele no caminho, indo na direção do Tapuio, e meu pai ofereceu carona. Eu, que ia sozinho na carroceria da camionete, entrei em pânico quando vi de quem se tratava e imediatamente saltei fora do veículo, me arranhando todo em um arbusto.
O fato arrancou de meus pais muitas gargalhadas, mas significou para mim um grande horror.
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