De repente nos vimos forçados a parar, recuar, abrir mão de tudo que fazíamos por atitude ou pó inércia. O desconforto pela confinamento forçado, associado à incerteza do que estava por vir. Quando tudo começou parecia um acontecimento distante, um ponto no infinito, depois foi ficando maior, mais próximo, mas, mesmo assim, era custoso acreditar que chegaria. De repente surge um caso no país e depois o primeiro no estado, sair era um atrevimento, um desafio, um ato de resistência, um dia de cada vez enquanto ainda se podia. O pior de tudo era a falta de acesso a um mecanismo mínimo de proteção, ou seja, não encontrava-se máscara para vender e ainda não estava deliberado sobre o uso das de tecido. Até que um dia o chefe chama na empresa e pede para recolher o instrumento de trabalho, o bom e velho tablet com que eu fazia as pesquisas. A despedida despretenciosa ao menos tempo pareceu assutadora: "até quando der"; o governadores decretara isolamento social pelo próximos quinze dias, no mínimo. Daí a dúvida quando a fugir ou ficar, se proteger ou colocar outros em riscos. Não seria por pouco tempo, disso eu sabia, então decidi ir. Em recompensa fui recebido por uma natureza exuberante, um verde vegetal e azul celeste como eu nunca havia visto. Era um momento de reviravolta, uma repulsa ao luxo que agora parecia e reconhecimento do valor de um bom e velho rincão. Aos homens cabe agir, mas em Deus está a solução, de nada adianta a racionalidade agressiva se por cima não houver uma inspiração maior. Quem quisesse duvidar que duvidasse, o inimigo agora era real e nocivo, embora invisível.

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